Especial Hipoglicemia
A hipoglicemia exige atenção do diabético e de seus familiares. Conheça essa complicação para tratá-la adequadamente
Erika Nakahata
“A hipoglicemia é a complicação mais frequente do tratamento do diabetes”, resume a endocrinologista Janice Sepúlveda Reis, coordenadora do Ambulatório de Diabetes Tipo 1 da Santa Casa de Belo Horizonte (MG). Caracterizada pela queda da concentração de açúcar (glicose) no sangue a valores inferiores a 70 mg/dl, a hipoglicemia preocupa pelos riscos que envolve: mesmo os casos mais leves já determinam um déficit de atenção antes dos sintomas clássicos do distúrbio aparecerem. Segundo a endocrinologista Silmara Leite, de Curitiba (PR), professora da Universidade Positivo, há riscos de acidentes e traumas físicos por efeitos agudos na coordenação e no julgamento. Além disso, em situações mais graves, a hipoglicemia pode ocasionar perda de consciência e até quadro convulsivo, torpor e coma. E, em crianças com menos de 5 anos, alguns dados apontam atraso neuropsicomotor e danos ao desenvolvimento cerebral.
Mais do que reforçar a importância de o portador de diabetes controlar os níveis de açúcar no sangue, esse cenário indica a necessidade de combater não só o excesso, mas também a deficiência da glicose. Ainda assim, as estatísticas sobre o tema são escassas e divergentes. “Dados do Diabetes Control and Complications Trial (DCCT) e do United Kingdom Prospective Diabetes Study (UKPDS) — os maiores estudos realizados em diabéticos tipo 1 e 2, respectivamente — confirmaram que os episódios hipoglicêmicos foram mais comuns em pacientes usuários de insulina, com três a quatro aplicações diárias”, afirma Janice. A incidência, de acordo com a profissional, chega a ser de três a quatro vezes maior em diabéticos tipo 1.
O endocrinologista pediátrico Durval Damiani, do Instituto da Criança (ICr) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HC-FMUSP), explica que mesmo diabéticos bem controlados podem apresentar episódios de hipoglicemia. “Isso se dá pelo fato de, com tratamentos intensivos, tentarmos mantê-los em estreitas faixas glicêmicas e, ocasionalmente, passarmos do limite inferior. Por essa razão a monitorização glicêmica é tão importante porque detecta o caminho que as concentrações glicêmicas vêm fazendo e podem prever a hipoglicemia”, ressalta o profissional, que também é consultor da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ). “Costumamos dizer que o diabético que nunca tenha hipoglicemia certamente não está bem controlado, pois oscila suas glicemias em níveis sempre muito elevados. Ele não terá hipoglicemia, mas acumulará possibilidades de complicações decorrentes do mau controle.”
(continua)
Leia a matéria completa na revista Sabor&Vida Diabéticos nº 51