A associação de diabetes com hipertensão arterial é relativamente freqüente. Isso ocorre pela superposição das duas doenças que geralmente são comuns na população. O diabetes mal cuidado também pode contribuir para o aparecimento de hipertensão. A hipertensão tem cura sim, mas, infelizmente, para um pequeno número de seus portadores. O percentual de hipertensos que podem ser curados é em torno de 5%. Fazem parte desse grupo os pacientes com hipertensão de origem conhecida, que pode ser tratada. Nos outros 95% a hipertensão depende de fatores genéticos e ambientais (sal, estresse, obesidade). Nesse caso, a hipertensão arterial pode ser controlada por meio de tratamento não-farmacológico ou farmacológico, mas não tem cura.
Dr. Heno Lopes, cardiologista
Diabetes é uma doença complexa, e muitos fatores contribuem para o seu desenvolvimento. Sabe-se que o estresse psicossocial frequentemente tem um efeito negativo na saúde das pessoas. Vários estudos têm mostrado que fatores ambientais, incluindo eventos de vida dramáticos, podem contribuir para o aparecimento do diabetes tipo 1 por meio de efeitos auto-imunológicos, mas nunca são os únicos fatores responsáveis por esse aparecimento. Outros mecanismos estão envolvidos no desenvolvimento do diabetes tipo 2, e pesquisas realizadas com animais têm mostrado que o estresse interage com a obesidade para produzir hiperglicemia, além de influenciar o comportamento alimentar.
Dra. Fani Malerbi, psicóloga
Conciliar dieta alimentar balanceada, atividade física regular, controle do estresse emocional e uso de medicamentos, quando necessário.
Atualmente, a respos-ta é não. Contudo, pa-ra o diabetes do tipo 1, o enxerto de células-tronco do próprio paciente, quando a função da célula beta ainda é presente, tem sido eficiente, pelo menos por dois anos. Já o diabetes tipo 2, por ser uma doença de muitos fatores (poligênica), apresenta uma situação mais complexa. Até o momento, a medicina não encontrou a cura para nenhuma das doenças poligênicas. Mas, a descoberta de drogas que protegem e regeneram as células beta (as glitazonas e, especialmente, as incretinas) abrem uma nova perspectiva. É possível que essas novas drogas, se administradas imediatamente após o diagnóstico do diabetes e utilizadas a longo prazo, levem à cura da doença. Essa última possibilidade é a que está mais próxima de resolver o problema do tipo 2 no presente. Seja como for, tenho certeza (tomara que tenha razão), a solução definitiva do problema deverá passar pelo uso de células embrionárias.
Dr. Bernardo Léo Wajchenberg, diabetólogo
É uma doença caracterizada pela incapacidade do organismo de manter os níveis de açúcar do sangue dentro de uma faixa normal, que deve estar entre 70 mg/dl e 99 mg/dl em jejum e até 140 mg/dl no período pós-alimentar. Ela decorre da secreção e ação deficientes da insulina.
Quando a glicemia se eleva muito, há uma perda de açúcar pela urina. Com isso, para eliminar o excesso de glicose, a pessoa passa a urinar mais e, conseqüentemente, apresenta um au-
mento da sede, já que precisa repor o líquido perdido. Se o indivíduo não repõe adequadamente esse líquido, deixando de beber água ou outros líquidos em quantidade suficiente, pode ocorrer a desidratação, que evolui para um eventual coma diabético. Outros sintomas são: fome excessiva, fraqueza, mal-estar, tonturas e perda de peso, que ocorre apesar do paciente comer muito. Portanto, os sintomas clássicos da hiperglicemia são: urinar muito, fazendo com que a pessoa acorde várias vezes à noite, sede excessiva, muita fome, fraqueza e perda de peso.
Dr. Antonio Carlos Lerario, diabetólogo
Se estiver sem excesso de peso e com os índices de glicemia e triglicérides (um tipo de gordura no sangue) controlados, o diabético pode ingerir bebidas alcoólicas. Claro, sem abusos. Não é recomendável também que pessoas com pancreatite e neuropatia avançada consumam esse tipo de bebida. Para a Associação Americana de Diabetes, o consumo máximo diário de bebida alcoólica para os homens deve ser de até 2 doses de álcool
(30 ml) e, para mulheres, de até 1 dose (15 ml). É preciso tomar cuidado para não ocorrer episódios de hipoglicemia depois da ingestão de álcool. Para prevenir uma crise, só consuma bebida alcoólica junto com a refeição ou após um lanche.
Acerte a dose
1 dose de 15 ml de álcool = 1 lata de cerveja (350 ml); ou
1 taça de vinho (120 ml); ou
pouco mais de 1/2 dose* de bebida destilada (30 ml)
* dosador tradicional de uísque tem 50 ml
Adriana Ávila, nutricionista
O portador de diabetes tem mais de 20% de chance de desenvolver doença cardíaca em dez anos do que não-diabéticos. Por esse motivo, ele deve controlar rigorosamente a glicose sangüínea, a hemoglobina glicada, as alterações metabólicas associadas (aumento de triglicérides e redução do HDL colesterol) e eventual hipertensão para reduzir esse alto risco cardiovascular. Além do controle metabólico rigoroso, o paciente com diabetes deve passar por avaliação cardiológica periódica a cada um ou dois anos, dependendo do controle da glicose e dos outros fatores de risco. Seguir essa orientação é importante para controlar e prevenir o surgimento da doença. O diabético tem o mesmo nível de risco de ter um evento cardiovascular que um paciente que já teve infarto.
Dr. Heno Lopes, cardiologista
O descontrole glicêmico leva a alterações dos vasos sangüíneos, que aceleram o processo de aterosclerose e alterações neurológicas. Essas mudanças podem afetar diversos órgãos e tecidos, causando perda de sensibilidade (neuropatia), lesões nos rins (nefropatia), danos oculares (re¬¬¬tinopatia), doenças coronarianas e alterações de pele, intestino e vias urinárias.
O nível de LDL (colesterol ruim) ideal já foi 130 mg/dL, caiu para 100 mg/dL e agora já se discute 70 mg/dL. Esse valor foi sendo alterado considerando que a agressividade do colesterol é muito grande e é ainda maior nos diabéticos.
Os níveis de colesterol exigidos para evitar a aterosclerose, doença que entope as artérias de gordura, vem diminuindo no decorrer dos anos com as observações das pesquisas científicas . Desta forma quanto mais baixo o LDL, menos depósito de gordura nos vasos e menor a possibilidade de desencadear problemas
Dr. Carlos Alberto Pastore, cardiologista
Existe uma relação importante. A simples presença de resistência à insulina determina maior prevalência de doença renal (nefropatia). Quase 50% dos diabéticos apresentam evidência laboratorial de doença renal leve, demonstrada pela presença de microalbuminúria (albumina na urina). Muitos destes pacientes evoluem para insuficiência renal avançada, sobretudo aqueles nos quais os níveis de açúcar no sangue e fatores associados ao diabetes, como hipertensão, não são bem controlados. Mais de um terço dos pacientes admitidos em programas de diálise ou transplante de rim são diabéticos.
Dr. José Jayme Galvão de Lima, nefrologista
Os valores da pressão arterial de quem tem diabetes devem ser inferiores a 13 por 8 . Em geral, para portadores da hipertensão arterial recomenda-se que a pressão arterial esteja abaixo de 14 por 9 mmHg para que seja considerada controlada. Porém, no caso dos diabéticos, estes valores são mais rigorosos por causa do risco de doenças cardiovasculares. O diabetes já é um importante fator de risco para estas doenças, mas esse quadro se agrava quando ocorre a associação dele com a hipertensão arterial. O controle rigoroso da pressão arterial no diabético é de fundamental importância para prevenir as doenças cardiovasculares e minimizar a progressão da doença renal e da chamada retinopatia diabética.
Dr. Heno Lopes, cardiologista
O exercício aeróbio (andar, correr, pedalar, nadar) de intensidade média a moderada é o mais indicado para diabéticos tipos 1 e 2. A atividade deve ser realizada em sessões com duração de 20 a 60 minutos e de quatro a sete vezes por semana (mínimo é três vezes por semana). O diabético não deve fazer exercícios se a glicose plasmática for superior a 300 mg/dl ou maior que 240 mg/dl com corpos cetônicos (gorduras não metabolizadas por falta de açúcar na célula) na urina. O exercício localizado também é benéfico para o paciente diabético. O ideal é associar o treinamento aeróbio a exercícios de resistência ou de força muscular, que levará à melhora no controle glicêmico e ao aumento da capacidade física, da massa magra (massa muscular) e da força muscular.
Dra. Ivani Credidio Trombetta, professora de Educação Física
A presença do diabetes não implica necessariamente na não cicatrização de lesões. Sobre o processo de cicatrização atuam diversos fatores locais e sistêmicos, sendo o diabetes, principalmente quando descompensado, apenas uma das variáveis que poderão ou não influenciá-lo negativamente.
Dr. José Augusto Tavares Monteiro, cirurgião vascular